Antes que o ultimo ruído pudesse ser ouvido na tranca daquela porta, já sabia qual seria o meu destino, eu, que julguei por fardos e tristes aqueles que não podiam me compreender. Estou indo embora. Quando na verdade quem se aprofundava cada vez mais no mistério de si mesmo, era o meu ser absoluto.
Levo agora comigo, algumas das poucas lembranças boas que tive.
Um campo vazio. Sem ninguém, cheio de lavandas.
Onde conseguia ouvir o próprio barulho do vazio, aquele calmo barulho, misturado com o vento de uma tarde outono.Ou então a lembrança de quando a vi naquela rodoviária, vindo ao meu encontro, eu ainda, meio receoso não sabia o que esperar do que estava por vir. E o futuro daquele passado, me presenteou com a mais bela das loucas aventuras.
O amor sincero preserva alguns segredos e eu não seria mais ou menos maluco de contá-lo agora, que digo adeus.
Na verdade, adeus eu tenho dito, a muitos e muitos dias. Por horas e horas seguidas, quando seja por voracidade dos outros ou vontade própria, escondia dentro de mim, as mais tristes denuncias de que ainda precisava do passado. E nunca, nunca o passado esteve tão próximo, como se batesse em minha frente e não pudesse tocá-lo.
Ainda assim, eu esperarei por quem sabe um dia, talvez em algum universo bem distante de nós, eu ainda a reencontre. Na mesma rodoviária do destino que procurou ligar as nossas duas linhas, formando o mesmo desenho nas mãos. E quando isso acontecer, espero não ser velho demais para poder me lembrar de alguma coisa.
Agora já é tarde, muito tarde, a porta se abriu.
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